04 jun 2018

Novas tecnologias são capazes de evitar a calvície e salvar as madeixas

Terror dos homens desde sempre e um pesadelo a atormentar as mulheres com mais frequência nos últimos tempos, devido ao estresse e a alisamentos, a calvície não é um mal sem solução. Avanço de técnicas e profissionais cada vez mais capacitados são armas contra a queda dos fios, problema cercado por tabus (veja infográfico) mas que vem sendo combatido até com a ajuda de robôs.

Apesar de não existirem números oficiais de quantos implantes capilares são feitos no país, nos consultórios da capital mineira percebe-se maior adesão aos tratamentos. O cenário levou estabelecimentos especializados a investir na aquisição de equipamentos capazes de agilizar as cirurgias. Nem mesmo a tecnologia robótica está sendo deixada de lado.

A Clínica Regis, por exemplo, apostou no robô Artas 9X para realizar os procedimentos. Adquirida em setembro do ano passado, a máquina permite que a operação seja menos invasiva e mais precisa, além de rápida, destaca o sócio-proprietário do empreendimento, o dermatologista Rubem Miranda. “Fomos os primeiros a utilizar a inteligência artificial nesse processo em Minas Gerais, e temos conseguido bons resultados”, afirma Rubem Miranda.

“Antes de fazer um implante é preciso ter referências do profissional que vai realizar o processo” (Thaissa Coelho, dermatologista)

Sem cortes

As inovações têm atraído mais pessoas. Cirurgião plástico especializado em tratamento de calvície, Otávio Boaventura diz que a chegada de uma técnica sem cortes também incentivou as pessoas a buscar ajuda profissional.

Nela, as cicatrizes são menores e o pós-operatório deixa de ser doloroso. “Muitas pessoas tinham medo da cirurgia por receio da dor e do tempo para recuperação. A mudança na realização da operação, nos últimos cinco anos no Brasil, trouxe mais pacientes para os consultórios”, afirma Otávio Boaventura.

Outro ponto é destacado pela dermatologista Thaissa Coelho, também especialista em cabelos. “No passado, existia um preconceito com implantes capilares, porque, em muitos casos, o resultado ficava artificial. Agora, que as técnicas avançaram e os profissionais estão capacitados, as pessoas têm recorrido mais à cirurgia”, diz Thaissa Coelho.

“Tentei fazer uma clínica mais popular. Aos 30 anos fiz um implante e vi o quanto foi caro e difícil para encontrar profissionais” (Antônio Helvécio Mateus, proprietário da clínica CT Capilar)

Popularização

Proprietário da Clínica CT Capilar, Antônio Helvécio Mateus conta realiza, mensalmente, uma média de 40 implantes. “Antes, o custo para o paciente era calculado em dólar, de tão caro que ficava um bom tratamento”. Segundo ele, é possível fazer o procedimento por R$ 9 mil.

Presença de mulheres e jovens cresce nos consultórios

Se na década passada a preocupação com a queda de cabelo era praticamente uma exclusividade de homens de meia idade, agora o perfil dos pacientes está cada vez mais diversificado. Jovens e mulheres têm marcado presença constante nas clínicas.

No caso do sexo feminino, o dermatologista Rubem Miranda diz que a mudança do ritmo de vida tem contribuído. O quadro é motivado, conforme o especialista, por conta do estresse, que acaba enfraquecendo as madeixas. Segundo ele, o uso desenfreado de produtos químicos, como as substâncias que prometem alisamentos, também causa estragos nos cabelos.

Precoce

Já a maior procura pelos jovens está associada ao acesso à informação, opina o cirurgião plástico Otávio Boaventura. “Eles sabem que mais sucesso terão se procurarem um especialista o quanto antes. Nos casos mais precoces, é retardada a necessidade de um implante”, explica.

Conforme Boaventura, jovens de aproximadamente 20 anos já podem procurar ajuda ao notar fios mais ralos, principalmente se há histórico de calvície na família. Com medicamentos, ele diz ser possível atrasar a queda dos cabelos em até dez anos.

O representante comercial Caio Diniz, de 32 anos, começou a ficar calvo aos 25. Insatisfeito com a própria aparência, optou por um implante capilar, feito há pouco mais de um mês. Agora, o rapaz aguarda o crescimento dos fios, que começa a dar resultado após 60 dias. “Estava infeliz. Além do apoio da minha esposa, o valor do tratamento coube no meu orçamento. Não tinha porque não fazer”, conta Caio.